05/03/2007

Sobre videogames, computadores, gadgets e a religião geek

Digamos que existem três grandes ramos no mundo geek moderno: o mundo dos computadores, o mundo dos gadgets, e o mundo dos videogames.

Embora para nós consumidores o grande empecilho para ser um adepto dos três mundos seja o dinheiro, não sei por que motivo as empresas que fazem esses produtos podem ser bem sucedidas em um mundo, talvez em um segundo, mas nunca serão boas nos três mundos. Ou seja, nós jamais teremos uma companhia monopolizando as três áreas da religião geek. (Good for us.)

Há alguns bons exemplos a respeito. O primeiro que cito é a própria Apple. Ninguém nega que a Apple sempre teve uma reputação sólida com computadores (teve um certo declínio uns 10 anos atrás, mas Steve Jobs ressurgiu pra salvar o mundo), ainda que seja sempre um nicho bem dedicado. Com o iPod, entrou com tudo no mundo gadget, domínio esse que será ampliado com o Apple TV e o iPhone. Mas vocês sabiam que a Apple já se arriscou com um videogame e arrebentou a cara nisso? Procurem pelo Pippin no Google. Isso faz algum tempo, mas fez com que a Apple nunca mais investisse em jogos até que o iPod tivesse uma base consolidada - e mesmo assim, o foco do iPod obviamente não tem a ver com os joguinhos.

Outro excelente exemplo é a Sony, mãe do mundo gadget moderno, que começou com o Walkman. Partiu pro mundo dos videogames com o Playstation e pros PCs com a linha VAIO (computadores muito bons, aliás - tive dois quando eles começaram a fabricá-los). Teve razoável sucesso com todos eles mas nunca foi líder nos três ao mesmo tempo, com altos e baixos no mundo dos gadgets.

Hoje, o Playstation 3 abalou um pouco a reputação da japonesa com videogames em razão do preço ignorantemente alto e das falhas de lançamento, e o iPod chutou-a pra escanteio em som portátil. Acho que a única coisa realmente confiável e sólida da Sony seja a linha de laptops - desde, claro, que você não pegue uma bateria explosiva.

A Nintendo se dedica a fazer videogames, e acho eu que nunca sairá muito desse ramo. Se sair, desvirtuará a natureza e a história da companhia, e correria sério risco de quebrar a cara. A Microsoft já domina o cenário de softwares nos computadores, e fez uma aposta vitoriosa com o Xbox e agora o Xbox 360. Mas o Zune...

Eu acho bem difícil que essa dinâmica das coisas mude alguma hora. Afinal, sempre será muito difícil uma companhia ser boa em todos os três aspectos. Mas posso estar errado.

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